Triple Helix Part 3: The Male Tree

In the moments before Marcelo and I were to completely leave the botanical gardens, he stopped in front of an immense tree.

“This right here is the male tree of this species. You can’t see it right now, but if you were to pick off one of the leaves, you would see that it is covered with ants. The males have a symbiotic relationship with ants, who in turn, help them pollinate.”

I did not remember the name of the tree, but I couldn’t forget the relationship he had described to me. The nature of that symbiotic relationship reminded me of my entomology courses in university. At that time, I thought the information superfluous and unnecessary, but listening to Marcelo’s words made me nod my head in agreement. I immediately regretted not paying more attention in class.

I took one last look at the tree, straining my eyes to see the ants. I couldn’t; but I did notice the lianas (long-stemmed, woody vines) that encompassed the tree. At first, I had previously thought that the lianas were the mangled branches of the towering figure, but they were in fact a completely different plant. Lianas were notorious for germinating next to the tallest trees in the forest, supporting themselves on the structure in order to climb to the forest canopy. Near the apex of the forest, the lianas would then join with other members to form a complex network that will cover the majority of neighboring plants, until they dominated the ground and the sky.

The forest contained a complex and rich community that paralleled our own human communities. There existed workers and donors; those who were content in their positions, and others that did everything they could to reach the top. Perhaps what Marcelo’s spiritual family searched for was the link between human tendencies and natural phenomena. Perhaps their sojourn into the thick and dense vegetation was a means to shed those human tendencies and reveal a purer version of themselves.  Either way, I understood their search because I understood the effect of the forest on my own countenance. I witnessed the grand presence of an ecosystem that functioned and thrived regardless of my personal existence: a humbling, but fortifying experience. My time in the Atlantic Rainforest of Rio de Janeiro helped me discover a part of my identity that I recognized, but had not accepted. Marcelo helped me perceive that my native people were intrinsically linked to the earth, and as their descendant, I too was of the earth.

This kind of valorization of nature is the common narrative when speaking of indigenous peoples. Furthermore, indigenous people throughout the world have fought fiercely to protect the syncretic lives they have with nature, to stop the invasion of foreign influences that could cause divisions between the human and natural worlds. I began to comprehend their veracity; they recognized that there existed no difference between the two worlds. They recognized that alienation from the forest was akin to self-hate. The Yoruba valiantly defended this realization until waves of colonialism almost completely destroyed our organic origins. Nonetheless, traces of that intuition were resilient. I realized that my happiness was intrinsically linked to the forest: it was the missing chord of my triple helix. I was born Nigerian, raised American, and reincarnated Brazilian.

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Ao anoitecer, antes de sair completamente do jardim, o Marcelo parou na frente de uma árvore imensa.

“Esse aí é um macho. Não dá pra ver agora, mas se você pegar uma das folhinhas, você vai ver que está cheia de formiga. Os machos dessa espécie de árvore têm um relacionamento simbiótico com as formigas que os ajudam a polinizar.”

Não me lembrei do nome da árvore, mas lembrei do relacionamento que ele descreveu. Estava sentada na minha aula de entomologia, quando aprendi os detalhes da simbiose que, naquela época, achei supérfluos, nem recebi uma nota boa na prova sobre aquelas relações simbióticas. Acenei a minha cabeça num jeito sincero, quis que ele pensasse que eu já  sabia de tudo o que ele me disse.

Olhei para a árvore imensa, fiz um esforço para ver as folhas dela; não vi as formigas, ao invés, notei as vinhas que a cercavam. Das pesquisas que já fiz, sabia que muitas das vinhas eram de fato lianas. Anteriormente pensei que as lianas fossem parte das árvores que as apoiavam, mas elas eram completamente outra planta. As lianas germinaram no solo e se apóiaram nas árvores para se acercar o mais próximo possível a sol: onde elas floresceram e criaram a rede extensiva que cobriria a maioria da árvore e as plantas vizinhas. Na superfície da árvore existia uma comunidade complexa e rica que andava em paralelo às nossas próprias comunidades humanas. Existiam trabalhadores e doadores, membros que eram contidos e outros que faziam todo possível para atingir o topo. Será que essa realização era o que o Marcelo e a “família” dele procuravam na mata, uma ligação entre as tendências humanas e a natureza? Ou talvez eles fossem para a floresta para esquecer-se das tendências humanas, para descobrir uma versão mais pura deles mesmos.

A floresta sempre tem poderes fortificantes para nós, seres humanos. A presença grandiosa das árvores, a extensão do espaço, o reconhecimento de que existe um mundo natural que é completamente alheio as nossas experiências pessoais, é uma experiência completamente impressionante. O meu tempo no Rio de Janeiro me ajudou descobrir uma parte da minha identidade  que já reconhecia, mas não aceitava. Marcelo me ajudou a perceber que o meu povo nativo era intrinsecamente ligado à terra, e como um descendente também sou.

Esse tipo de vida em harmonia com a natureza é frequentemente reservado  para pessoas que se consideram indígenas. Por todo o mundo, as comunidades indígenas têm lutado para manter um estilo de vida em contato com a natureza, apesar das influências supostamente inovadoras que criaram divisões entre o mundo natural e o humano. Comunidades indígenas, no entanto, reconheciam que não existe uma diferença entre os mundos naturais e humanos, e criar divisões é igual ao auto-ódio, à dor auto-infligida. Meu povo indígena também defendia esse estilo de vida até que o colonialismo quase completamente dizimou qualquer traço dele. Não sei se foi a minha intuição pessoal, as influências de Oxum e Xangô, ou Deus, que me ajudou a ter essa percepção, mas me dei conta de que a minha felicidade deriva do contato constante com a natureza. Na floresta, me sinto em paz ; foi a última corda da hélice tripla que compôs minha identidade. Nasci nigeriana, cresci americana, reencarnei brasileira.

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