The Necessity of Redefinition / A Necessidade de Redefinição

Achievement was my first obsession. Unlike many, my childhood activities were shielded from exploitation, and thankfully my hard-work and accomplishments were merely concentrated to academics and after- school soccer practices.

Nonetheless, I addictively cherished the verbal compensation I received during those pursuits. Commendation, praise, and recognition were converted into symbolic currency. I hoarded these “performance” coins after exams and soccer games, when I was complimented for being well-mannered, or well-spoken, and especially when family and friends showered me with their approval. Unbeknown to me, however, these words began to take on metaphysical qualities. They began to sink themselves into my unconscious, like the initial stakes required in building the foundation of a house. With these qualities, I began to define myself: I began to build the blueprint of my identity. Even though I had not placed them there, I began tiptoeing around the stakes: not wanting to step outside the barriers laced with the constant expectation of excellence. In fact, the house I was inattentively building had begun to defy expectations. That is what I was told I had to be: the black girl who defied expectations. And because the definition of  “black” had a simultaneous connotation of hindrance and acceptance, with my achievements, I had to defy, and placate the core identity that was given to me. That is the way definitions function. By their nature, definitions are external, and in order to properly do its job, a definition must draw from the essence of the item it seeks to analyze. This system works best for the abstract and the inanimate, but when applying the same paradigms to organic beings, definitions begin to constrain; their barriers begin to cut into tissue rather than hold concepts together.

The definition I created for myself was a composite, an amalgam of dispensed comments, praises, and observations from outside influences. It was as if I were unaware of my own consciousness until it was pointed out to me. I failed to recognize my own agency and sentience. My nucleus was lost. That is why this manner of self-defining feels heartless; it feels like an overwhelming exercise because the “true self” is not considered in the process. The “true self” may hold back because of feelings of inferiority. The “true self” may reason that perhaps the external lens knows better: that the identifiers of race, religion, age, gender, sexual orientation, physical capacity, socio-economic status, and success must have been constructed for it’s own benefit.

Sometimes these external identifiers do, indeed, help. They assist in understanding the world, yet they lack in truly encompassing it’s nature. That is where personal responsibility enters the picture. Once I had finished building my metaphorical shelter, I stepped away and saw that it resembled many other houses around me. I had built my home among a community with stark similarities, yet, my eyes were drawn to the strange houses I saw dotting the horizon. Cue the existential crisis. My base began to splinter and crack. The external acclamations, compliments, and observations were not strong enough to support my home. They were not the bedrock I needed, and in the face of disappointment, stress, and injustice, the definitions weren’t sufficient protection. I realized that although it appeared strong on the outside, that my foundation was actually hollow. “Well-educated” couldn’t stand up to the challenges of unemployment. “Abled-bodied” couldn’t stand up to mental illness. “Successful” couldn’t stand up to systemic bias. “Exemplary” couldn’t stand up to failure. “Black” had little chance against discrimination, and “Female” was staunchly subjugated under the forces of patriarchy. These words, these qualifiers that had created who I was began to flounder and shake under the pressure of much larger systems, and I realized that I had done myself a great disservice. I had sat for too many years as a passive consumer. I had too easily acquiesced under the persuasion of the external lens. My foundation could no longer be built from cheap material. I had to reinforce it. I began to rebuild by redefining.

Solitude aided in the repair effort. I erected beams of self-confidence forged from personal dialogues, and the biographies of individuals who disregarded labels. I fortified the roof with soul-quenching conversations with people who did not “stay in their place.” I polished the interior with gratitude for my privilege, along with the desire to help those less-fortunate. Walls were plastered with self-love and personal interests. Cracks were sealed with voracious goals for the future. Again, I stood back and witnessed that I had not demolished the “external” away, rather, I had put it in its place. My house was finally an original creation, my own definition.

By: Felicidali

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Conquistas foram minha primeira obsessão. Eu tive uma infância positiva, ao contrário de muitas pessoas, minhas atividades eram protegidas da exploração. Felizmente, minhas metas e esforços eram meramente concentrados em trabalhos escolares e prática de futebol. No entanto, eu estava viciada na compensação verbal que recebia durante aquelas atividades. Louvor, elogios e reconhecimento foram convertidos em uma moeda simbólica. Eu acumulava as moedas de “trabalho-bem-feito” depois de exames e jogos de futebol, quando era elogiada por ser bem-educada ou eloquente e, especialmente, quando minha família e amigos me presenteavam com sua aprovação. O que eu não sabia era que essas palavras começaram a assumir qualidades metafísicas. Elas começaram a se aprofundar em meu inconsciente, como as colunas iniciais necessárias para construir a base de uma casa. Com essas qualidades, eu comecei a me definir: comecei a construir uma planta da minha identidade. Mesmo que eu não as tivesse colocado em meu cérebro, comecei a movimentar meus pés cautelosamente em torno das colunas: não querendo sair das barreiras criadas com a constante expectativa de excelência. Na verdade, a casa que eu estava inconscientemente edificando tinha começado a desafiar as expectativas. Minha responsabilidade implícita era  que eu tinha que ser uma menina negra que desafiava as expectativas. E, uma vez que a definição de “negro” tinha uma conotação simultânea de impedimento e aceitação, com as minhas conquistas, eu tinha que desafiar e aplacar a identidade dada para mim. Essa é a função das definições. Pela sua natureza, as definições são externas e, para fazerem seu trabalho corretamente, deveriam extrair a essência do item que procuram analisar. Este sistema funciona melhor com o abstrato e o inanimado, mas, ao aplicar os mesmos paradigmas aos seres orgânicos, as definições começam a se restringir; suas barreiras começam a ferir corpos, em vez de unir conceitos.

A definição que eu criei para mim mesma era um composto, um amálgama de comentários, elogios e observações livres de influências externas. Era como se eu estivesse inconsciente de minha própria consciência, até que alguém a apontou para mim. Eu não reconheci minha própria agência e senciência. Meu núcleo foi perdido. É por isso que esta forma de auto-definição se sente sem coração; ela se sente como um exercício esmagador, já que o “verdadeiro ego” não é considerado no processo. É possível que o “verdadeiro ego” lute contra os sentimentos de inferioridade. O “verdadeiro ego” pode raciocinar que talvez a lente externa saiba o melhor: que os identificadores de raça, religião, idade, sexo, orientação sexual, capacidade física, estado sócio-econômico e sucesso deveriam ter sido construídos para seu próprio benefício.

Às vezes, esses identificadores externos ajudam de fato. Eles ajudam na compreensão do mundo, porém falham em abranger verdadeiramente sua natureza. É aí que a responsabilidade pessoal entra em cena. Quando eu acabei de construir meu abrigo metafórico, me afastei e vi que se parecia com muitas outras casas ao redor. Eu construí minha casa em uma comunidade  com fortes semelhanças, ainda assim meus olhos foram atraídos às casas estranhas que vi pontilhando no horizonte. Daí começou minha crise existencial. A minha base começou a se fragmentar e quebrar. As aclamações, elogios e observações externas não foram fortes o suficiente para suportar minha casa. Elas não foram o alicerce que eu precisava e, diante da decepção, estresse e injustiça, as definições não foram proteção suficiente. Eu percebi que, embora a minha base parecesse forte no exterior, ela era oca. “Bem-educada” não poderia  enfrentar os desafios do desemprego. “Saudável” não poderia enfrentar a doença mental. “Bem sucedida” não poderia enfrentar oviés sistêmico. “Exemplar” não poderia enfrentar o fracasso. “Negra” tinha poucas chances contra a discriminação e “Mulher” foi firmemente subjugada sob as forças do patriarcado. Estas palavras, estes qualificadores que constituíam minha identidade, começaram a tropeçar e a se atrapalhar sob a pressão de sistemas mais poderosos. Percebi que tinha errado enormemente. Permaneci por muitos anos como uma consumidora passiva. Eu consentia facilmente sob a persuasão da lente externa. Minha base não poderia mais ser construida com material barato. Tive que reforçá-la. Eu comecei a me reconstruir com a redefinição.

A solidão ajudou no esforço de reparação. Eu ergui uma viga de auto-confiança forjada com diálogos pessoais e biografias de pessoas que desconsideravam as etiquetas. Fortifiquei meu telhado com conversas profundas com amigos que não “ficavam em seu lugar.” Poli o interior com gratidão por meus privilégios, juntamente com o desejo de ajudar os menos afortunados. As paredes foram preenchidas com amor-próprio e interesses pessoais. Rachaduras foram seladas com minhas metas vorazes para o futuro. Mais uma vez, eu me afastei e testemunhei que não tinha demolido completamente o “externo”, em vez disso, só coloquei o externo em seu lugar. A minha casa foi finalmente uma criação original, minha própria definição.

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